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A Doutrina do Pecado

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01/03/2011 13:49

A Doutrina do Pecado

O que a Bíblia diz sobre o pecado e suas consequências na vida do ser humano

A história da humanidade começa, conforme as Escrituras, com a história do pecado do homem e sua desobediência a Deus. Na literatura mundial, no campo da Filosofia e da Teologia, o problema do pecado é tratado de modo a tentar explicar a questão da existência do mal.

Ao longo da história da humanidade, esse problema tem sido estudado, especulado e pesquisado pelo homem na tentativa de explicar essa questão do mal. Essa preocupação humana com a realidade do mal tem motivado as mais sérias discussões com respostas as mais diversificadas. Visto que o
poder do mal se impõe naturalmente na experiência humana, a preocupação com a sua origem desafia a inteligência e aguça o interesse em descobri-lo na sua essência. Entretanto, é impossível discutir a realidade universal do pecado no mundo sem relacionar a sua razão de ser com a vida do homem. Conforme o relato bíblico, foi o homem que, por seu livre-arbítrio, caiu na rede de engano do originador do pecado, o Diabo, e deixou-se induzir ao pecado de rebelião contra o Criador.

O que é o pecado?

Teologicamente, a doutrina do pecado é identificada como Hamartiologia. Essa palavra deriva de dois termos da língua grega, língua do Novo Testamento: “hamartia” e “logos”, que significam juntas “estudo acerca do pecado”. O termo “hamartia” tem, na sua etimologia grega, o sentido de “errar o alvo”. Portanto, o estudo acerca do pecado, como ato, estado ou condição, sugere que o pecado é “um desvio do fim (ou modo) estabelecido por Deus”.

Na Teologia Cristã, a doutrina do pecado ganha espaço porque o cristianismo representa a possibilidade de redenção do estado pecaminoso do homem. Três grandiosas doutrinas bíblicas ganham espaço na vida do homem, as quais são: a Doutrina de Deus, a Doutrina do Pecado e a Doutrina da Redenção. Existe uma relação essencial entre essas três doutrinas de tal modo que é impossível tratar do pecado sem tratar da Redenção e, naturalmente, ao tratar sobre Redenção, inevitavelmente a relacionamos com a sua fonte, que é Deus.

A questão do mal é tratada na Bíblia a partir do relato do livro de Gênesis sobre a Queda do homem. Esse relato descreve o princípio da tentação do homem e a sua concessão ao pecado, trazendo maldição à sua vida pessoal e a toda a Terra.

Para entendermos a relação do pecado com o homem, devemos considerar a definição de pecado.

Tanto, no Antigo quanto no Novo Testamentos, a palavra “pecado” é sinônima de muitas outras palavras que são usadas na Bíblia e indicam conceitos distintos sobre a mesma. São vários termos que amplificam o conceito de “pecado” nas suas várias manifestações. Entretanto, usaremos apenas um termo hebraico e outro grego, línguas originais da Bíblia, os quais apresentam definições relativas que podem ilustrar o significado da palavra “pecado”.

No Antigo Testamento, o vocábulo hebraico “chata’th” aparece cerca de 522 vezes. O seu termo correlato no Novo Testamento é “hamartia”, e ambos sugerem a idéia de “errar o alvo” ou “desviar-se do rumo”, como o arqueiro antigo que atira suas flechas e erra o alvo. Os termos sugerem e indicam também alguém que erra o alvo propositadamente, ou seja, que atinge outro alvo intencionalmente. Não se trata de uma idéia passiva de erro, mas implica numa ação propositada. Significa que cada ser humano foi criado com um alvo definido diante de si para alcançá-lo. Denota tanto a disposição de pecar como o ato resultante. Em síntese, o homem não foi criado para o pecado e, se pecou, foi por seu livre-arbítrio, sua livre escolha (Lv 16.21; Sl 1.1; 51.4; 103.10; Is 1.18; Dn 9.16; Os 12.8; Rm 5.12; Hb 3.13).

A palavra “hamartia”, no grego do Novo Testamento, já foi citada em correlação com “chata’a” do Antigo Testamento. Entretanto, ambas as palavras, cujo sentido é “errar o alvo”, “perder o rumo ou fracassar”, indicam que o primeiro homem, no princípio, perdeu o rumo de sua vida e fracassou em não atingir o padrão divino estabelecido para a sua vida. Na linguagem do Novo Testamento, a palavra “hamartia” tem ainda um sentido mais forte que a ideia de “fracasso” ou de “transgressão”. A palavra tem o sentido de “poder de engano do pecado”, como em Romanos 5.12 e Hebreus 3.13. Portanto, pecado é mais que um fracasso; é uma condição responsável que implica culpabilidade.

O pecado é um ato livre e voluntário do homem, porque ele é um ser moral, dotado da capacidade de perceber o certo e o errado. O homem é um agente moral livre para decidir o que fazer da sua vida (Ec 11.9).

O pecado é um tipo de mal, porque nem todo mal é pecado. Existem males físicos conseqüentes da entrada do pecado no mundo. Na esfera física, temos um tipo de mal que se manifesta nas doenças. Entretanto, na esfera ética, o mal tem um sentido moral. É nessa esfera moral que se manifesta o pecado. Os vários termos hebraicos e gregos das línguas originais da Bíblia, quando falam do pecado, apontam para o sentido ético, porque falam da prática do pecado, ou seja, dos atos pecaminosos.

O pecado é, de fato, uma ativa oposição a Deus, uma transgressão das suas leis, que o homem, por escolha própria (livre), resolveu fazer (Gn 3.1-6; Is 48.8; Rm 1.18-22; 1Jo 3.4).

Outra verdade acerca do pecado é o fato de que o pecado tem caráter absoluto. Esse conceito é bíblico e correto. É difícil se fazer distinção ou graduação entre o bem e o mal, porque o caráter de uma pessoa tem um sentido qualitativo. Uma pessoa boa não se torna má porque tenha diminuído sua bondade, mas ela se torna má quando se deixa envolver pelo o pecado. Essa é uma questão de qualidade, e não de quantidade. O pecado não pode ser tratado como um grau menor de bondade, porque o pecado é algo sempre negativo e absoluto. Do ponto de vista bíblico, não há neutralidade quanto ao bem ou ao mal. O que é mal não é mais ou menos mal. Ou se está do lado justo e certo ou se está do lado injusto e errado.

O pecado não é apenas a prática de um ato errado. Como dizia o teólogo Louis Berkhof, “o pecado não consiste apenas em atos manifestos”. O pecado não é apenas aquilo que se pratica erradamente, mas é algo entranhado na natureza pecaminosa adquirida da raça humana. É um estado pecaminoso que desenvolve hábitos pecaminosos os quais se manifestam na vida cotidiana. Todas aquelas tendências e propensões pecaminosas típicas da natureza corrompida de cada um de nós demonstram o estado pecaminoso do ser humano. A Bíblia denomina “carne” a este estado que pode ser controlado por uma vida regenerada (2Co 5.17).

Indiscutivelmente, o pecado trouxe graves conseqüências ao universo, especialmente à vida na terra. A Bíblia faz várias declarações a respeito da universalidade do pecado. Por exemplo, temos no Antigo Testamento alguns exemplos, tais como “não há homem que não peque” (1Rs 8.46) e “porque à tua vista não há justo nenhum vivente” (Sl 143.2). Paulo, na Carta aos Romanos, disse: “Não há um justo, nenhum sequer; não há quem faça o bem, nenhum sequer”, Rm 3.10-12; “Pois todos pecaram e carecem da gloria de Deus”, Rm 3.10-12. O apóstolo João afirma: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós”, 1Jo 1.8.

Se morte física significa separação de corpo e alma e é parte da pena do pecado, entendemos que, de modo nenhum, a morte física significa a penalidade final. Nas Escrituras, a palavra “morte” é frequentemente usada com sentido moral e espiritual. Isso significa que a verdadeira vida da alma e do espírito é a relação com a presença de Deus. Portanto, a pena divina contra o pecado do homem no Éden foi a separação da comunhão com o Criador.

A morte espiritual tem dois sentidos especiais: um sentido é negativo e o outro é positivo. Em relação à vida cristã, todo crente está morto para o pecado, porque a pena do pecado foi cancelada e ele está fora do domínio do pecado. Trata-se da separação da vida de pecado depois que se aceita a Cristo e é expiado por Ele. Porém, em relação ao futuro, o crente terá a vida eterna, isto é, terá a redenção plena do corpo do pecado (Ap 21.27; 22.15).

O sentido negativo de morte espiritual refere-se à morte no pecado. O crente está morto para o pecado, mas o ímpio está morto espiritualmente no pecado. Significa que o pecador vive em um estado de vida separado de Deus e de sua comunhão. Significa estar “debaixo do pecado” e estar sob o seu domínio (Ef 2.1,5). O efeito desses dois sentidos é presente e temporal. O pecador sem Deus, no presente, está numa condição temporal de excomunhão com Deus, mas, pela graça de Deus, poderá sair desse estado e morrer para o pecado (Ef 4.18; Gn 2.17).

A punição final do pecado é a morte eterna, ou seja, o juízo contra o pecado (Hb 9.27). A morte eterna é a culminância e complementação da morte espiritual. Diz respeito à repugnância da santidade divina que requer justiça contra o pecado e contra o pecador impenitente. Significa a retribuição positiva de um Deus pessoal, tanto sobre o corpo como sobre a sua alma e espírito (Mt 10.28; 2 Ts 1.9; Hb 10.31; Ap 14.11).

Uma das grandes verdades acerca do castigo do pecado é que a justiça de Deus o exige a fim de que ninguém o acuse de injustiça. Ele é o Senhor que pratica a misericórdia, juízo e justiça na terra (Jr 9.24). A questão do pecado encontra resposta e solução quando encontramos na Bíblia a declaração de Paulo de que Deus propôs Jesus Cristo como a propiciação pelo seu sangue, para receber toda a carga da ira de Deus contra o pecado (Rm 3.25). Significa que a cruz foi a forma pela qual Deus castiga o pecado. O próprio Deus, perfeito em justiça, tornou possível a expiação dos pecados por Aquele que se fez nosso justificador completo – Jesus (Rm 3.26).

A Salvação está quando entregamos a nossa vida por inteiro ao Senhor Jesus, reconhecendo, arrependidos, os nossos pecados; e também reconhecendo o sacrifício de Cristo como suficiente para a nossa expiação, procurando agora vivermos sempre conforme a Sua vontade, expressa na Sua Palavra, a Bíblia Sagrada.
 

26 comentário
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COMENTÁRIOS

  • De: NazaréSarmanho Frade

    Comentario: Muito proveitoso esse estudo Pastor. Clarifica muito principalmente as questões teologicas. Gostaria de ouvir sobre o pecado original. O senhor crer q ñ foi introduzido no Éden e sim por lucifer. Outra pergunta : hoje ñ podemos mais tê livre arbítrio apenas o casal do Éden. possuiam? Hoje somos escravos e como tal sem livrd arbítrio ? Pastor se ppuder me envie respostas.
  • De: Liberato Portes Batista

    Comentario: bom o estudo sobre o pecado. Como estou pensando em fazer minha monografia de bacharelado em Teologia sobre o assunto, gostaria de ter a indicação de livros disponíveis na CPAD para subsídio do meu TCC.
  • De: liberato portes batista

    Comentario: bom o estudo sobre o pecado e como estou pensando em fazer uma monografia sobre o assunto para conclusão do curso de bacharel em teologia, gostaria de ter a indicação de livros disponíveis na CPAD para subsidiar meu trabalho de elaboração da mesma.
  • De: PAULO JÚLIO MOREIRA VALA

    Comentario: excelente trabalho PR. Porque sem duvida esta é uma das grandes doutrinas bíblicas, e que hoje já não se fala mais por alguns grupos evangélicos, mas graças a Deus porque ainda existem homens como o PR que preservam a sã doutrina, e a levam a serio. um forte abraço MISSIONÁRIO PAULO VALADARES PR da 1ª igreja Batista ALMEIRIM (PA)
  • De: salvador duarte

    Comentario: que eu gostaria de saber no estudo harmatiologia me faz a pergunta;PORQUE NO ÇEU NÃO HAVERA MAS PECADO?
  • De: Anilton

    Comentario: Muito lindo esse cometario ,Pr Que Deus continuir te dano essa sabedoria espiritual
  • De: Monique Soares

    Comentario: Amei este estudo,sou seminarista e me ajudou muito.Que Deus continue te usando dessa forma.
  • De: raimundo alves brandao

    Comentario: sou pastor. e gostei muito deste ensinamento((hamartia - doutrina do pecado), eu particularmente aprendi muito, e sempre ensino a igreja sobre este tema. tao importante e esclarecedor para nos. obrigado: pastor. Raimundo A. Brandao
  • De: santyago portela

    Comentario: Jesus realmente e misericordioso nos deu a salv acao mesmo sem merecermos
  • De: isaias

    Comentario: bom trabalho esse.
  • De: GABRIEL SILVA

    Comentario: E TABM LERBRAMOS DE QUANDO ALGM CAIR NÓS LERVATAMOS E Ñ JULGAMOS
  • De: IRINEU ROMÃO DA SILVA

    Comentario: A PAZ DO SENHOR JESUS CRISTO, MEU IRMÃO E OU GOSTARIA QUE ME ENVIAR-SE, PELO O MEUE-MAIL;ACIMA ESTÁ MESAGEM E OUTRAS AMÉM
  • De: Ev. Valdineis Lima

    Comentario: Como sempre Pr. Elienai Cabral um ótimo Teólogo gostei muito desse resumo sobre a Doutrina do Pecado.
  • De: Marcio Fagundes

    Comentario: Pr que Deus continue te dando ebte dando estes lindos estudos fica na paz
  • De: jairo fonseca

    Comentario: é otimo o estudo sobre o pecado assim saberemos mas como devemos nos comporta,como Deus nosso pai quer ne irmãos.
  • De: João Marcelo

    Comentario: Nascemos sim pecador e nem por isso temos que viver no pecado, quem é que quer ser servo do diabo, faça sua escolha. Parabéns pelo estudo, obrigado.
  • De: Bruce de souza cruz

    Comentario: A tendencia q a mente humana tem pra fazer o q e errado e inacreditavel. Otimo comentario!!!
  • De: Pr Estevam Pinheiro Lindo

    Comentario: muito proveitoso, excelente!!!!!!!!!!
  • De: oscar

    Comentario: So estudante de teologia,mas tem algo que aprendi nesse estudo.
  • De: edineia castro santos al

    Comentario: amei esse estudo tirou uma duvida q eu tinha
  • De: ALMIR

    Comentario: gostei muito desse comentario estou começando a estudar teologia e esse vai me ajudar muito
  • De: cristiano ferreira antune

    Comentario: achei muito bom esse ensinamento vou compartlhar com os meus clegas
  • De: valdeci pedro da cruz fil

    Comentario: graças a Deus por este cometario.
  • De: pastor celio rocha

    Comentario: precisamos desa mensagen em nossos puptos das nossas igrejas
  • De: jack barros

    Comentario: ótima definição valeu!
  • De: gilvan Menezes

    Comentario: Muito boa a materia sobre hamartia (Doutrina do pecado) sou seminarista e este material me trouxe mais entendimento.

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