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Giro pelo Brasil

Após 4 horas, família descobre que adolescente estava entre vítimas em Suzano

Massacre em escola estadual deixou 10 mortos, incluindo os atiradores que se suicidaram, e onze feridos

Redação CPAD News / com informações e fotos de Estadão | 14/03/2019 - 11:18
Após 4 horas, família descobre que adolescente estava entre vítimas em Suzano

Após quatro horas de angústia e informações desencontradas, a família do adolescente Douglas Murilo Celestino, de 17 anos, recebeu a notícia que não queria: o aluno era uma das vítimas do atentado que aconteceu na manhã desta quarta-feira (13) em Suzano, na Grande São Paulo. Douglas era aluno do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Raul Brasil.

Baleado na cabeça, Douglas foi socorrido e levado ao Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes. No momento do resgate, ele estava próximo ao RG de outro aluno e foi identificado como José Victor.

Por volta das dez horas, um tio de Douglas, professor em outra escola de Suzano, começou a ser informado pelos alunos de um ataque no colégio próximo. "Não conseguia mais dar aula porque os alunos começaram a receber mensagens, fotos e vídeos no WhatsApp", conta Robson Belchior Chaves, de 42 anos. "Quando deu 11 horas, minha esposa me ligou falando que estava com a mãe do Douglas e que ele não atendia o celular", diz.

A partir daí, começou a via-crucis da família. Eles seguiram para o colégio e foram informados de que o aluno tinha sido levado para o hospital de Mogi das Cruzes. Chegando lá, como o estudante havia sido identificado como José Victor, a família retornou a Suzano sem uma pista de onde o garoto estava.

Após as informações desencontradas, a família tentou novamente falar com o jovem pelo celular. "Só que dessa vez foi uma funcionária do hospital que atendeu o telefone e pediu que a gente fosse para lá", conta Chaves. Por volta das 14 horas, a família retornou ao centro de saúde e foi informada sobre a morte.

Embora tivesse muitos amigos na escola, Douglas havia pedido recentemente à família para ser trocado de colégio. "Estava tendo muitos casos de indisciplina, bagunça e ele era mais tranquilo, um menino muito dócil", diz o tio do adolescente.

Douglas era evangélico e, além da escola regular, fazia aulas de informática e de futebol. No final deste ano, quando terminaria o Ensino Médio, ele pretendia tentar ingressar no curso de computação em uma universidade.

Fã de videogames, costumava ir à casa do amigo Gustavo, de 16 anos, para jogar. O colega escapou por pouco dos atiradores. "Ele cruzou com um dos atiradores quando estava correndo, pulou o muro da escola para fugir e correu para casa. Só machucou um dedo da mão. Foi um livramento de Deus", conta o pai de Gustavo, o corretor de imóveis José Roberto Oliveira Santos, de 49 anos. "Ele chegou em casa, me ligou e disse 'pai, aconteceu uma tragédia, eu escapei por um milagre, mas acho que o (Douglas) Murilo não conseguiu'."

Os dois jovens eram amigos desde os cinco anos e estudavam na mesma sala. "Ele vivia lá em casa. Meu filho está em choque", diz Santos.

Velório

Douglas Murilo Celestino, de 17 anos, baleado na cabeça, é o único dos cinco alunos assassinados que não será velado na Arena Suzano, onde está sendo realizado um velório coletivo das vítimas da tragédia. A família optou por realizar a cerimônia em uma igreja Assembleia de Deus de Suzano. O velório teve início na madrugada desta quinta-feira.