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17/11/2017

Giro pelo Mundo

Avião sequestrado por terroristas em 1977 é desmontado no CE para retornar à Alemanha

Cerca de 15 técnicos alemães da Lufthansa Tecnik, começaram a desmontar o Boeing 737-200, o Landshut, como é conhecido na Alemanha

Fonte: G1 | 12/09/2017 - 17:15
Avião sequestrado por terroristas em 1977 é desmontado no CE para retornar à Alemanha

Estacionado em um 'cemitério' de aeronaves no Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, um Boeing que pertencia a empresa Lufthansa e que foi sequestrado por terroristas há 40 anos, voltará à Alemanha. Cerca de 15 técnicos alemães da Lufthansa Tecnik, começaram a desmontar o Boeing 737-200, o Landshut, como é conhecido na Alemanha.

O desmonte e o retorno do avião para a Alemanha deve ser concluído até o fim de setembro, a tempo de participar da programação em referência ao chamado Outono Alemão, como ficou conhecida a luta contra o terrorismo. Nesta quarta-feira (13), o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witshel, estará em Fortaleza para verificar os trabalhos e assistir à desmontagem de uma das asas da aeronave.

O avião havia sido comprado pela TAF Linhas Aéreas SA e, por causa de pendências judiciais, ficou parado no aeroporto de Fortaleza. De acordo com a Justiça Federal do Ceará, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e a TAF assinaram acordo, no dia 24 de maio deste ano, com a República Federal da Alemanha (RFA) para ceder o Boeing ao país alemão.

De acordo com Hans-Jürgen Fiege, cônsul honorário da Alemanha em Fortaleza, as peças da aeronave deverão ser transportadas em dois aviões do tipo Antonov, o maior avião de carga do mundo. Na Alemanha, o Landshut será remontado e deverá ser levado para a cidade de Friedrichshafen, no sul do país, onde ficará exposto no Museu Aeroespacial Dornier, localizado às margens do Lago Constança, situado na fronteira da Alemanha com a Áustria e a Suíça.

O 40° aniversário do que ficou conhecido como Outono Alemão – período que marcou o auge da luta entre o Estado alemão e o terrorismo de extrema esquerda e do qual o Landshut se tornou símbolo – fez com o governo alemão se interessasse pelo retorno da aeronave ao país.

“Foi um período de grande tensão na Alemanha, como inúmeros atentados e sequestros, onde o sistema político e democrático da Alemanha era questionado. Com o fim do sequestro do avião, que durou uma semana, a democracia saiu fortalecida e a ação dos terroristas perdeu força entre a população. Os sequestradores pediam a libertação de companheiros presos na Alemanha. O governo não cedeu e, em uma ação policial militar, conseguiu resgatar os 90 passageiros que estavam à bordo”, explica o cônsul.

Outono Alemão

O Boeing 737-200, da Lufthansa, foi sequestrado no dia 13 de outubro de 1977, trinta minutos depois de deixar o aeroporto de Palma de Mallorca, na Espanha, em direção a Frankfurt, na Alemanha, com mais de 90 pessoas a bordo. Ao entrar no espaço aéreo francês, os quatro extremistas - armados com pistolas e granadas - anunciaram o sequestro e deram início à jornada de 106 horas que terminaria apenas na Somália. para liberar os reféns, pedia a libertação de membros presos na Alemanha.

Para libertar os passageiros, o grupo exigia que o governo alemão soltasse integrantes da Fração do Exército Vermelho (RAF) - também chamado de Baader Meinhof - presos na Alemanha. O Governo alemão recusou a proposta dos sequestrados e montou uma operação de resgate. Antes de pousar em Mogadíscio, na Somália, onde o sequestro terminou, o avião fez paradas para reabastecer em Roma, na Itália; Lárnaca, no Chipre; Bahrein, no Golfo Pérsico; Dubai, nos Emirados Árabes; e Áden, no Iémen.

Três dias do início do sequestro – em 16 de outubro - o piloto da aeronave foi assassinado em frente aos passageiros, e o copiloto foi obrigado a continuar sozinho a jornada. Na capital somali, uma operação das forças especiais da polícia federal da Alemanha conseguiu libertar a aeronave. Era a madrugada do dia 18 de outubro de 1977.

Três dos quatros sequestradores foram mortos na operação. Depois do fracasso da ação terrorista, Andreas Baader, Jan-Carl Raspe e Gudrun Ensslin, membros destacados da RAF, cometeram suicídio coletivo na prisão. Outra integrante da organização, Irmgard Möller, foi encontrada ferida com quatro facadas.

Após o sequestro, a aeronave continuou transportando passageiros da Lufthansa até ser vendida pela empresa alemã em 1985. O Landshut teve vários proprietários e passou a levar cargas. Até 2008, ele voou pela TAF, de Fortaleza. Devido a pendências judiciais da empresa, o avião foi penhorado e há nove anos estava parado no Aeroporto Internacional Pinto Martins, na capital cearense.