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Netanyahu é indiciado por crimes de suborno, fraude e quebra de confiança

Acusações foram feitas pela procuradoria-geral de Israel nesta quinta (21). O premiê não tem obrigação legal de renunciar após ser acusado

Fonte: G1 | 22/11/2019 - 14:40
Netanyahu é indiciado por crimes de suborno, fraude e quebra de confiança

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi indiciado, nesta quinta (21), pelos crimes de suborno, fraude e quebra de confiança pelo procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit, informou a Reuters. Netanyahu é o primeiro premiê do país a ser indiciado ainda no cargo.

A decisão da procuradoria foi anunciada em um comunicado. Netanyahu, que negou irregularidades em três casos de corrupção, não tem obrigação legal de renunciar após ser acusado - somente se for condenado.

Em um pronunciamento na TV, Netanyahu disse que o indiciamento equivale a uma tentativa de golpe contra ele e que a investigação foi irregular. "Eles não estavam atrás da verdade, estavam atrás de mim", afirmou. "Este é um dia triste. Você precisa ser cego para não ver que algo ruim está acontecendo no sistema legal", disse ainda.

O primeiro-ministro falou também em "falsas acusações por motivos políticos" e chamou o caso de uma "caça às bruxas". Ele garantiu que continuará no poder , apesar de as acusações terem o objetivo de derrubá-lo.

Em fevereiro, a polícia já havia recomendado a Mandelblit que fizesse as acusações contra o premiê, nas investigações de longa data que ficaram conhecidas como "Caso 1000", "Caso 2000" e "Caso 4000".

Segundo o jornal "The Jerusalem Post", Mandelblit vai, agora, pedir ao Knesset que retire a imunidade de Netanyahu - processo que pode levar 30 dias.

Quais são as acusações?

Netanyahu é suspeito de aceitar indevidamente US$ 264 mil (cerca de R$ 1,1 milhão) em presentes dos magnatas Arnon MIlchan, produtor de Hollywood e cidadão isralense, e James Packer, bilionário australiano. Nesse caso, o "Caso 1000", o premiê é acusado de fraude e quebra de confiança.

No "Caso 2000", a alegação é de que Netanyahu negociou um acordo com o proprietário do jornal diário mais vendido de Israel, o "Yedioth Ahronoth", para obter uma melhor cobertura. Em troca, segundo a procuradoria, ele ofereceu uma legislação que retardaria o crescimento de um jornal diário rival. Ele também foi acusado de fraude e quebra de confiança neste caso.

Segundo o jornal "The Jerusalem Post", o acordo nunca foi adiante, mas a lei israelense prevê que crimes de tentativa de suborno e quebra de confiança podem ser aplicados mesmo se essas tratativas não forem adiante.

No "Caso 4000", a acusação ao premiê é de que ele concedeu favores regulatórios à principal empresa de telecomunicações de Israel, a Bezeq Telecom Israel, em troca da cobertura positiva dele e de sua esposa em um site de notícias controlado pelo ex-presidente da empresa. Netanyahu foi acusado de suborno, fraude e quebra de confiança neste caso.

As acusações de suborno têm uma sentença de até 10 anos de prisão e/ou multa; já a fraude e a quebra de confiança têm uma pena de prisão de até três anos.

Ele rejeitou as acusações como falsas e politicamente motivadas, segundo o "The New York Times".

Julgamento

É improvável que haja um julgamento logo, segundo a agência de notícias Reuters. Pode levar muitos meses até que os casos sejam levados ao tribunal - e Netanyahu também poderia buscar um acordo judicial em vez de ser julgado.

Os aliados de Netanyahu no Parlamento israelense, o Knesset, disseram que pressionariam para lhe conceder imunidade parlamentar.

Eleições

As acusações podem alterar o curso das negociações para formar um novo governo no país. Depois que o líder do partido centrista Azul e Branco, Benny Gantz, anunciou na quarta (20) que não conseguiu formar governo de coalizão, o Knesset passou a ter um prazo de 21 dias para escolher um nome que consiga formar uma maioria de 61 cadeiras das 120 disponíveis na casa.

Se os parlamentares não conseguirem escolher um nome, o país terá novas eleições - as terceiras neste ano.