Nesta quarta-feira (2) é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo criado em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU), e tem por objetivo levar informação, reduzir o preconceito contra indivíduos que apresentam o transtorno do espectro autista (TEA) e aumentar a inclusão. Geralmente, o diagnóstico pode ocorrer nos primeiros anos de vida, mas há casos em que a pessoa só descobre na fase adulta.
O TEA ou Autismo é um distúrbio do desenvolvimento neurológico atípico e afeta a comunicação social, interação e comportamento. Segundo a diretora-executiva do Instituto NeuroSaber, a psicopedagoga e psicomotricista Luciana Brites, o TEA é um transtorno de neurodesenvolvimento caracterizado por déficits de interação social, problemas de comunicação verbal e não verbal e comportamentos repetitivos, com interesses restritos. “Por volta dos 2 anos, a criança pode apresentar sinais que indicam autismo. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento. Como o transtorno é um espectro, algumas crianças com autismo falam, mas não se comunicam, ou são pouco fluentes e até mesmo não falam nada. Uma criança com autismo não verbal se alfabetiza, mas a dificuldade muitas vezes é maior”, diz Luciana ao site G1.
Algumas características comuns entre os autistas são: pouco contato visual, pouca reciprocidade, atraso de aquisição de fala e linguagem, desinteresse ou inabilidade de socializar, manias e rituais, entre outros. Porém, existem diferentes níveis de autismo. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês) atualmente as nomenclaturas mais adequadas para identificar as diferentes apresentações do TEA são nível 1 ao 3 de suporte. Quanto maior o nível, maiores são as características apresentadas e o suporte necessário.
O diagnóstico clínico é feito por um médico. Até agora, não há exames de imagem ou laboratoriais que sejam definitivos para diagnosticar o TEA.
O tratamento deve iniciar assim que existe uma suspeita clínica, mesmo sem diagnóstico fechado, para melhorar a qualidade de vida e inclusão do autista. O tratamento é personalizado e interdisciplinar, ou seja, além do tratamento psicológico, muitas vezes é necessário uso de medicamentos e, em alguns casos, o atendimento fonoaudiólogo.
As causas do autismo foram atribuídas a uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Em uma reportagem publicada no CPAD News, intitulada de Cientistas podem ter descoberto nova causa do autismo, um estudo publicado pela revista científica britânica Nature sugere que mutações específicas em genes ligados ao desenvolvimento neurológico podem estar diretamente associadas ao autismo. Confira essa reportagem.
Uma característica da criança com TEA é a seletividade alimentar, afetando entre 40% a 80% dos casos. O Senado brasileiro votará em breve um projeto de lei que busca especificar a terapia nutricional para indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esta iniciativa é uma emenda à Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, estabelecida pela Lei 12.764 de 2012, conhecida como ‘Lei Berenice Piana’.
Sendo aprovado, os autistas terão acompanhamento nutricional com profissionais de saúde qualificados. Equipes de saúde multidisciplinares poderão cooperar com estratégias para apresentar os alimentos, garantindo um plano nutricional que visa melhorar a qualidade de vida de cada criança ou adulto com TEA, onde os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento social e bem-estar estarão incluídos em sua dieta alimentar.
Pela legislação brasileira, a pessoa autista é considerada pessoa com deficiência, garantindo direitos como prioridade em filas e atendimento preferencial.
É importante também incluir o autista em todos os grupos sociais, seja na escola e na igreja. É necessário que os educadores se especializem nessa inclusão para atender melhor os alunos ao chegarem em sala de aula. E as igrejas devem estar preparadas para receber crianças e adultos autistas, seja com salas multidisciplinares, em caso de crises, e até incluir o uso de abafadores para diminuir o impacto que o som alto traz aos ouvidos dos autistas.
Por Luciene Saviolli / Com informações G1, Isto é e Canal Autismo