Pela primeira vez na história do governo Sírio, uma cristã é nomeada ministra. Hind Kabawat assumiu o Ministério da Agricultura, Trabalho e Assuntos Sociais da Síria, no último sábado (29), se tornando a única mulher no gabinete do presidente Ahmed al-Sharaa.
Kabawat, ex-diretora de construção da paz inter-religiosa na George Mason University, em Virgínia (EUA), é uma ativista conhecida por fazer oposição ao regime Bashar al-Assad, destituído do poder em dezembro de 2024 pelo grupo rebelde islâmico Hayat Tahrir al-Sham (HTS).
A atual ministra também integrou o comitê de diálogo nacional, que discutiu a formação do novo governo e redigiu a nova constituição, após o fim da ditadura. O comitê era composto por 23 ministros de diversas etnias e religiões, mas, predominantemente muçulmanos sunitas, como a maioria da população.
Desde o início de seu governo, o HTS tem tentado se distanciar das raízes em movimentos jihadistas radicais como a Al-Qaeda, e havia prometido proteção aos cristãos e às demais minorias religiosas.
O novo governo afirma que seu principal objetivo é acabar com a guerra civil e promover a estabilidade social no país. Em março, a Síria passou por uma de suas piores ondas de violência, e os confrontos resultaram em mais de mil mortos, entre eles cristãos.
A inclusão de mulheres e minorias no processo político sírio faz parte das exigências dos países ocidentais, com os quais o HTS tenta negociar a suspensão de sanções econômicas impostas ao regime de Assad há mais de uma década.
Apesar das recentes movimentações do HTS, a Portas Abertas relata que os cristãos vivem um misto de otimismo cauteloso e ceticismo quanto ao futuro da Síria sob o controle dos rebeldes.
“Fomos pegos de surpresa. Nos sentimos inseguros e não sabemos o que fazer. As coisas parecem calmas na superfície, mas levará tempo para entender o que realmente está acontecendo. Precisamos ser cautelosos, continuar monitorando e oferecer o nosso melhor”, afirmou um cristão.
Na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2025, elaborada pela Portas Abertas, a Síria ocupa a 18ª posição entre os 50 países mais perigosos para os cristãos viverem.
Redação CPAD News/ Com informações Comunhão, Times of Israel e Portas Abertas