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`Nunca vimos nada assim´, diz pastor que mobiliza igreja para ajuda a refugiados em Ceuta

Milhares de migrantes tentam nadar do Marrocos para o território espanhol e são mandados de volta para o outro lado da fronteira

`Nunca vimos nada assim´, diz pastor que mobiliza igreja para ajuda a refugiados em Ceuta

São centenas de migrantes que vagueiam pelas ruas de Ceuta, uma península espanhola próxima ao Marrocos. Há quem queira regressar ao país e quem se desespera ao fim de vários dias sem rumo. Já morreram pelo menos duas pessoas e uma tentou o suicídio.

Na semana passada, o caso de um menino amarrado a garrafas pet que chegou à cidade pelo mar chocou as pessoas. Imagens o adolescente chorando ao chegar à praia do Tarajal e sendo recebido por soldados em Ceuta.

Milhares de marroquinos já regressaram ao seu país, embora muitos ainda permaneçam na cidade. A principal preocupação agora são cerca de 1.000 crianças que ainda estão esperando para serem reclamadas por suas famílias ou enviadas para outras regiões, que prometeram acolher cerca de 200 delas.

“Não podíamos acreditar no que estávamos vendo”, disse o pastor Javier Santolaria ao portal cristão Protestante Digital de Ceuta, recordando o que aconteceu há poucos dias.

“Havia milhares de pessoas vagando pelas ruas. A maioria deles se comportam pacificamente, mas houve algumas brigas. Isso atrapalhou completamente a vida da cidade”, acrescenta.

Santolaria, natural de Ceuta, é pastor da igreja evangélica Casa de Alabanza há 20 anos, localizada em uma favela da cidade onde a maioria dos moradores é muçulmana.

Cerca de 100 pessoas se reúnem lá regularmente, embora o público tenha sido afetado pela pandemia Covid-19. “Nos afetou como a todos, mas continuamos com a missão de ser igreja, cumprindo nossa vocação durante todo esse tempo”, explica Santolaria.

Menores

O pastor reconhece que estão habituados a lidar com as migrações em Ceuta, mas disse que “nunca vimos nada assim. Ainda há pais que não levaram os filhos à escola e as lojas permaneceram fechadas até quinta-feira, temendo que pudesse surgir alguma situação difícil”.

Segundo Santolaria, “muitos sabem que se forem localizados e colocados num centro serão deportados para o seu país. É por isso que a maioria deles quer ficar vagando pela cidade, se escondendo, porque tem medo de ser mandado de volta”.

“Tem hora que você ainda vê muitas crianças, principalmente jovens, nas ruas. Ainda existe um certo mal-estar, porque não está claro o que vai acontecer com todas essas pessoas que ainda estão aqui”, diz o pastor.

A administração forneceu um número de telefone para famílias marroquinas que desejam localizar seus filhos e iniciar o processo de reunificação.

Os evangélicos ficam tão surpresos quanto seus vizinhos, mas insistem em “não perder o lado humanitário”. Eles sabem que por trás desse afluxo massivo de pessoas há um aspecto político que não pode ser ignorado, já que alguns menores explicaram que foram enganados.

“Não queremos perder o lado humanitário e queremos estender a mão e ajudar”, frisa Santolaria.

Missão

A associação Fundação e Desenvolvimento, braço social da igreja, está a arrecadando bens essenciais como vestuário, calçado e artigos de higiene, “para os distribuir e ajudar ao máximo quem vai estar aqui, não sabemos por quanto tempo”, explica o pastor.

Ajudar nessas circunstâncias é um desafio, pois há vizinhos que temem um “efeito de chamada”. “Isso não nos impede, mas às vezes há medo e mal-estar entre nós também e não é fácil reagir a uma situação como essa”, destaca Santolaria.

Eles já receberam o apoio de algumas organizações e igrejas da Espanha para realizar este trabalho e estão abertos a receber ajuda.

 

Fonte: Guiame / Com informações G1, Publico e Evangelical Focus / Foto: Montagem: Jon Nazca/Reuters (25.05.21)