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Policiais são ordenados a vigiar cristãos na Índia e a violência pode aumentar

A visão dos nacionalistas hindus é que `ser indiano é ser hindu´. Qualquer outra religião deve ser combatida

Policiais são ordenados a vigiar cristãos na Índia e a violência pode aumentar

É fato que a perseguição aos cristãos continua a aumentar na Índia, mas agora as autoridades policiais do distrito de Sukma, em Chhattisgarh, ordenaram a vigilância total sobre os cristãos. 

O Superintendente de Polícia do Estado emitiu uma circular para todas as delegacias instruindo os policiais a vigiar a comunidade cristã do distrito e ficar à procura de conversões religiosas “fraudulentas”.

Eles foram autorizados a agir contra os cristãos onde essas atividades forem encontradas, conforme o relatório internacional do ICC (International Christian Concern), um grupo de apoio aos cristãos perseguidos, dos Estados Unidos. O ICC teme que os ataques aos cristãos se intensifiquem. 

A Índia é o segundo país mais populoso do mundo, perdendo somente para a China. Os extremistas hindus acreditam que todos os indianos devem seguir o hinduísmo e que no país não deve haver cristãos, nem muçulmanos. Para atingir esse objetivo eles estão usando de muita violência.

Aqueles que desistem do hinduísmo para seguir a Cristo são apontados negativamente por acreditar numa fé estrangeira e costumam ser culpados pela má sorte que atinge as comunidades. É comum que cristãos ex-hindus sejam atacados fisicamente e, às vezes, até mortos.

Ameaças e agressões

Vários incidentes de intimidação, ameaças e agressões contra os cristãos de Sukma foram relatados desde o envio da circular, relata o ICC. “Quatro policiais vieram à nossa aldeia enquanto estávamos em uma reunião de oração, no dia 23 de julho”, disse Bhima, um cristão de Sukma. 

“Eles perguntaram sobre conversões. Não fizeram nada contra nós, mas depois que a polícia foi embora, os radicais hindus da aldeia começaram a usar palavras ofensivas contra todos os cristãos e ameaçaram nos expulsar”, continuou.

Um pastor local disse que todas as igrejas nas aldeias foram forçadas a interromper suas as reuniões de adoração.

Atrocidades contra cristãos

Os cristãos representam cerca de 2,5% da população da Índia, enquanto os hindus representam 79,5%. A Índia está classificada como o décimo pior país do mundo para a vida cristã, conforme a Portas Abertas.

A Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional  solicitou a inclusão da Índia no rótulo de “país de particular preocupação” por se envolver ou tolerar graves violações da liberdade religiosa.

A Evangelical Fellowship da Índia já documentou 145 casos de atrocidades contra cristãos — 3 assassinatos, 22 ataques a igrejas e 20 casos de ostracismo ou boicote social em áreas rurais — somente no primeiro semestre de 2021.

Desde que o atual partido governante (Bharatiya Janata Party) assumiu o poder, em 2014, os incidentes contra os cristãos aumentaram, e os radicais hindus costumam atacar os cristãos com pouca ou nenhuma conseqüência.

“Ser indiano é ser hindu”

A visão dos nacionalistas hindus é que ser indiano é ser hindu. Qualquer outra religião é vista como não-indiana. 

Vários estados indianos têm leis de “anticonversão”, que presumem que os trabalhadores cristãos “forçam” ou “oferecem benefícios financeiros” aos hindus, a fim de convertê-los ao cristianismo. Por exemplo, se lanches ou refeições forem servidos aos hindus após uma reunião evangelística, isso pode ser visto como “incentivo”.

Em julho, pelo menos 30 cristãos foram falsamente acusados de se envolverem em conversões religiosas forçadas e presos no estado mais populoso da Índia, Uttar Pradesh, de acordo com o ICC.

“Em outros estados, a lei anticonversão de Uttar Pradesh oferece uma cobertura legal para nacionalistas hindus radicais que buscam perseguir os cristãos”, disse o gerente regional da ICC, William Stark. 

“Se o governo de Uttar Pradesh permitir que isso continue acontecendo, os nacionalistas hindus radicais saberão que têm impunidade absoluta para perseguir os cristãos e fechar seus locais de culto”, alertou.

 

Fonte: Guiame / Com informações Christian Post / Foto: Reuters/Adnan Abidi (04.08.21)