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Duas cristãs acusadas de blasfêmia no Paquistão são libertadas sob fiança

Geralmente, os acusados de blasfêmia no país costumam passar anos na prisão, até que o processo de apelação se esgote

Duas cristãs acusadas de blasfêmia no Paquistão são libertadas sob fiança

No último dia 23 de setembro, duas enfermeiras cristãs acusadas de blasfêmia no Paquistão foram libertadas da prisão, após pagamento de fiança. Porém, segundo informações da Morning Star News, a decisão foi mantida em segredo até agora para evitar reações de islâmicos, incluindo o partido político Tehreek-e-Labbaik do Paquistão.

Mariam Lal e Nawish Arooj tiveram fiança estipulada por um tribunal de sessões em Faisalabad. Geralmente, os acusados ??de blasfêmia no Paquistão costumam passar anos na prisão, até que o processo de apelação se esgote.

“Esta é uma decisão sem precedentes por qualquer tribunal de sessões em um caso de blasfêmia” , disse o advogado Atif Jamil Paggan ao Morning Star News. Paggan acrescentou que a decisão da fiança foi mantida em segredo devido a preocupações com possíveis represálias de extremistas.

Lal e Arooj trabalhavam no Hospital Civil de Faisalabad, quando foram falsamente acusadas de blasfêmia, no dia 9 de abril. De acordo com fontes locais, Lal foi instruída por uma enfermeira sênior do hospital, Rukhsana, a remover velhas tapeçarias e adesivos de uma parede, e assim ela fez.

Acredita-se que Rukhsana, guardava rancor contra Lal, pois conforme relatado ao ICC, ela teria provocado outros funcionários muçulmanos no Hospital Civil, alegando que Lal profanou tapeçarias de parede que continham versos do Alcorão. Até que então, um funcionário muçulmano da farmácia do hospital, Waqas, se revoltou e atacou Lal com uma faca, enquanto ela atendia um paciente na enfermaria do hospital.  A cristã recebeu vários ferimentos no braço, mas sobreviveu ao ataque.

Após a notícia de falsa acusação de blasfêmia se espalhar por toda a comunidade, uma multidão de muçulmanos enfurecidos organizou um protesto em frente ao Hospital Civil, e exigiu que Lal fosse presa e enforcada "por blasfemar contra o Alcorão".

A International Christian Concern (ICC) divulgou que polícia registrou um primeiro relatório de informação (FIR # 347/21) em conexão com a alegação. De acordo com a FIR, Lal e Arooj foram acusados ??de violar as leis de blasfêmia do Paquistão de acordo com a Seção 295-B.

O advogado garantiu ao Morning Star News, que as duas mulheres estão atualmente em um local seguro. “Elas estão muito felizes e aliviadas após a vitória do tribunal, e estamos otimistas de que o tribunal as absolverá da acusação assim que o julgamento for concluído”, afirmou Paggan.

 

CPAD News/ Com informações International Christian Concern (ICC) - Foto: Ilustrativa/ Pixabay.com