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Membros do Tatmadaw abusam de duas mulheres no estado de Chin, em Mianmar

Soldados da Junta Militar invadiram casas, roubaram pertences e abusaram sexualmente de mulheres

Membros do Tatmadaw abusam de duas mulheres no estado de Chin, em Mianmar

No dia 11 de novembro, as forças do Tatmadaw invadiram cerca de 20 casa na vila de Aklui, no município de Tedim, estado de Chin, em Mianmar. Durante o ataque, além de roubar dinheiro, joias e telefones celulares, os soldados abusaram sexualmente de duas mulheres.

O incidente deixou 40 pessoas deslocadas, que fugiram para outros locais em busca de segurança.

Conforme relatado pela International Christian Concern (ICC), um dos casos de abuso, ocorreu quando três soldados do Tatmadaw entraram na casa de uma jovem mãe de 27 anos e a estupraram enquanto mantinham seu marido - que estava no mesmo quarto - sob a mira de uma arma.

"O segundo estupro foi de uma mulher aparentada com o primeiro; soldados estupraram a cunhada da mulher, de 30 anos, que estava grávida do sétimo mês. Um morador de Aklui disse que a primeira vítima de estupro, a de 27 anos, entrou em choque com o incidente e estava sendo cuidada por uma enfermeira local. O tio da vítima também disse que “ela estava muito deprimida”, informou a ICC.

Os familiares compartilharam com a Radio Free Asia alguns detalhes do abuso sofridos pelas mulheres. Eles disseram que no início elas ficarm traumatizadas e não conseguiam falar sobre o crime, pois sentiam medo e vergonha. "Dois soldados entraram em casa naquela noite e bateram em seu marido com as armas , fazendo com que ele sangrasse pelo nariz e pela boca... Mais tarde, os dois soldados a estupraram duas vezes e ela disse que também foi mordida nos órgãos genitais", contou o familiar.

A ICC informou que o porta-voz do Tatmadaw, Major General Zaw Min Tun,  afirmou desconhecer tais incidentes, e disse: “Se tivesse acontecido, agiríamos de acordo com as regras e regulamentos... Devo dizer que ainda está sob investigação. Se for verdade, agiríamos de acordo com as leis militares e regionais”.

A Administração Popular anti-Tatmadaw do município de Mindat, no sul do Estado de Chin, também se manifestou sobre o creme, e afirmou que, "abusar de mulheres para envergonhá-las durante a guerra é uma violação de seus direitos e um insulto ao povo jin, como bem como a todas as mulheres de Mianmar”, declarou.

A diretora da Organização de Direitos Humanos Chin, Thin Yu Mon, usou as palavras "nojento e extremamente desumano" para definir o abuso sexual. Ela citou ainda, que esta situação se caracteriza como o "ressurgimento de um antigo sistema do mal", além de ser um crime de guerra. Mon afirrmou que sua organização está coletando evidências sobre os incidentes, e as enviará a Tom Andrews, o Relator Especial da ONU para os direitos humanos em Mianmar.

 

CPAD News/ Com informações International Christian Concern (ICC) - Foto: Reprodução Googlemaps