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Primeiro-ministro do Sudão renuncia

A decisão foi tomada após protestos em massa contra o acordo com o governo militar que tomou o país

Primeiro-ministro do Sudão renuncia

Após mais um dia de protestos em Cartum, capital do Sudão, o primeiro-ministro Abdalla Hamdock renunciou ao cargo neste domingo (2). Milhares de pessoas marcharam contra um acordo que ele fez recentemente para dividir o poder com o Exército, que deu um golpe em outubro, colocando o primeiro-ministro em prisão domiciliar. Os protestos continuaram mesmo depois que Hamdok voltou ao cargo, com alguns manifestantes dizendo que sua reintegração estava ajudando a legitimar a tomada militar.

Depois de uma revolta popular, que derrubou o poder autoritário do presidente Omar al-Bashir em 2019, esse é mais um golpe contra as tentativas sudanesas de ter um governo democrático. Hamdok se tornou primeiro-ministro por meio de um acordo entre militares e civis, após a queda de Bashir. Ele é economista e ex-funcionário das Nações Unidas, muito respeitado internacionalmente.  

No domingo, milhares de pessoas saíram às ruas da capital Cartum e a vizinha Omdurman para protestar contra o golpe militar. A população pedia que os militares deixassem a política. Nas redes sociais, ativistas disseram que 2022 será "o ano da continuação da resistência". Mais de 50 pessoas foram mortas durante os protestos desde o golpe, incluindo pelo menos duas no domingo, de acordo com o Comitê Central de Médicos do Sudão. 

A renúncia de Hamdok mostra que os militares estavam perdendo sua influência para obter reconhecimento internacional e apoio popular. O líder do golpe, general Abdel Fattah al-Burhan, defendeu o golpe de outubro passado, dizendo que o Exército agiu para evitar uma guerra civil. Ele disse que o Sudão ainda está comprometido com a transição para o regime civil, com eleições planejadas para julho de 2023.

Os manifestantes pediram um retorno ao governo civil total. Mas as forças militares novamente responderam com força, deixando duas pessoas mortas no último domingo. A renúncia de Hamdok deixou o exército com total controle. 

 

Com informações: Portas Abertas (04.01.22)