CPADNews

Conflitos afetam cristãos no Cazaquistão

Com a renúncia do governo, a lei que afeta igrejas domésticas pode não ser executada

Conflitos afetam cristãos no Cazaquistão

Em meio as tensões no Cazaquistão, iniciadas devido ao aumento do gás liquefeito de petróleo (GLP), que dobrou de valor, o presidente do país aceitou a renúncia de seu governo. De acordo com algumas informações, cerca de 88 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, e mais de 160 foram mortas, sendo três crianças.  

A Portas Abertas destaca que, enquanto o país passa por este momento de turbulência, os cristãos se preocupam também com as possíveis mudanças na Lei da Religião. A lei foi assinada em 29 de dezembro, mas ainda existe a possibilidade de não ser executada. 

“Vemos a rapidez com a qual a situação de um país pode mudar, como está em Salmos 46.6: ‘Nações se agitam, reinos se abalam; ele ergue a voz, e a terra se derrete’”, disse Jan de Vries*, parceiro da Portas Abertas na Ásia Central.

Com o intuito de dificultar a realização de reuniões cristãs, e afetar consideravelmente as igrejas que não são registradas, o Ministério da Informação e Desenvolvimento Social do Cazaquistão, que decreta o controle sobre o exercício da liberdade de religião ou crença, efetuou mudanças na Lei da Religião.

Um líder da igreja local chegou a comparar o atual momento como a Perestroika, que foi um plano de reestruturação econômica da antiga União Soviética, que sem sucesso, transformou o período em um caos econômico.

“Tudo que acontece neste momento me lembra a época da Perestroika. As lojas estavam fechadas, como agora. Há longas filas para o pão, e só podemos comprar uma unidade. Ouvi dizer que uma mãe de cinco filhos, querendo alimentar a sua família, pediu para comprar pelo menos um pão extra e não pôde. A situação também é complicada pelo fato de que existem pessoas roubando lojas e roubando outras pessoas. Como igreja, nos mantemos calmos e oramos pelo nosso país. O que pode ser bom dentro dessa agitação política é que a nova lei religiosa não será executada. Essa nova lei afetaria as muitas igrejas domésticas que não têm registro legal”, relata o líder.

A Portas Abertas analisa, que "apesar de o Cazaquistão ter passado por uma grande reforma governamental, a perseguição aos cristãos no país não mudou ao longo dos anos. A legislação restringe a capacidade de adorar livremente. E as autoridades aumentaram o controle sobre a expressão religiosa no país, o que significa aumento da vigilância, incursões em reuniões e prisões na igreja. O governo usa a ameaça do islã militante para restringir mais liberdades."

 

Com informações Portas Abertas - Foto: Reprodução Portas Abertas